Quando o design de interiores invade o cotidiano

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O interesse pela decoração e design de interiores caiu de vez no gosto brasileiro, acho que a abertura de lojas mais sofisticadas ajudou bastante nessa popularização. Claaaro que ainda temos um bom caminho pela frente, pois os preços ainda não são tão populares assim, mas quanto mais a demanda aumentar, a esperança – dedos cruzados – é que os preços caiam, né gente?

Quando os Irmãos Campana surgiram na mídia brasileira, como ícones internacionais do design fora do Brasil, aquilo parecia tão alienígena pra mim quanto o filme Distrito 9. Eu não tinha sacado o impacto que a palavra design – tão pomposa pra mim naquela época – teria no meu cotidiano alguns anos depois.

Hoje, enquanto blogs de decoração pipocam, foi nos anos 50 quando o arquiteto e designer Sérgio Rodrigues criou a cadeira mole que ele entrou no mesmo hall da cadeira vermelha e azul de Mondrian: a cadeira virou exposição permanente do MoMA, museu de NY. Ele virou não só um conceito, mas conseguiu industrializar o design brasileiro e dar uma cara pra ele lá fora. Daí que arte não precisava estar presa somente aos museus, mas as pessoas queriam em casa.

Nos anos seguintes, foi a vez do nome do escultor Hugo França ganhar os holofotes ao transformar restos de árvores majestosas em obras de arte. Raízes e troncos de árvores típicas da mata atlântica tornam-se em bancos gigantes e é possível ver a transformação da madeira através dos anos: infestações de insetos, marcas de fogo... Ele trouxe para as exposições internacionais características da diversidade das florestas brasileiras e muita gente milionária pode ter uma de suas peças.



Depois, os Irmãos Campana surgiram com a cadeira Favela, que foi criada a partir da visão que os artistas tinham da favela da Rocinha: sarrafos de madeira encontrados na rua, pregados aleatoriamente que viraram uma casa, uma janela... Pra mim, nascia aí a ideia de que o faça-você-mesmo era legal e poderia ser muito bacana.

O que todos esses artistas têm em comum? Cada um a seu tempo ajudou o design brasileiro a tomar corpo dentro e fora do país, dando uma cara de brasilidade aos conceitos de design. E o que isso tem a ver com a gente? Quanto mais essas marcas de popularizam, mas fácil fica ter peças de design em casa e mais as outras marcas são obrigadas a melhorar a qualidade e a estética dos seus móveis. Daí, quem sabe um dia, a gente consiga encontrar mais acessível esse tipo de móveis e objetos de decoração.

Eu ando incutida com essa ideia pois, depois de visitar as bandas nórdicas entendi porque as casas de lá são mais aconchegantes que as de cá. Basicamente, preço baixo e frio intenso. Boa parte do ano, a galera fica presa dentro de casa por conta da neve que cai lá fora. Então, tudo gira em torno da casa: descanso e diversão. E quando o design é popularizado pelas diversas lojas que vendem móveis lindos a menos de cem reais, fica fácil tornar realidade aqueles ambientes decorados, sem precisar vender o rim no mercado negro ou ter sangue azul.

Quando o design faz parte da vida das pessoas, fica fácil até visitar uma madeireira em Campo Grande MS ou em qualquer outra cidade brazuca e montar você mesma seus móveis. Vi muito disso acontecer na gringolândia.


O que vocês acham sobre tudo isso?? 

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